sábado, 14 de junho de 2014

Próxima parada: Futuro!

“Quanto ao futuro, de repente, deixou de ser uma coisa abstrata – é lá que meu filho vai morar.” (josé Eduardo Agualusa)

Dia desses, caiu em minhas mãos o livro Um Pai em Nascimento, do escritor angolano José Eduardo Agualusa. O livro é, na verdade, uma compilação de crônicas que Agualusa escreveu há alguns anos para a Revista Pais e Filhos, nas quais menciona suas dúvidas e inquietações de um pai de primeira viagem. Embora a intenção deste post não seja falar sobre Agualusa e seu livro, menciono os textos do escritor angolano para dizer que seus escritos vieram bem a calhar com o meu momento atual, um momento de transição no meu papel de mãe.
Muitas coisas que Agualusa fala no livro, ele – que estava por virar pai – poderiam ter sido escritas para mim, que estou por virar mãe: mãe à distância. 
Este foi o último ano escolar de minha filha Y, de 18 anos. Ela passou no vestibular, escolheu a carreira que quer seguir e a cidade na qual quer morar. Em outras palavras, ela está preparada para começar uma vida de muito estudo em outro país. Em algumas semanas começará uma nova fase em sua vida. Ela aprenderá a trilhar seus próprios caminhos, a fazer suas próprias escolhas e a alçar novos voos… E eu, como mãe, sinto-me completamente fora de órbita, como se minha filha estivesse indo morar em outro planeta e não em um país praticamente ali na esquina. De tanto quebrar a cabeça a respeito desse tema, peguei-me tantas vezes perguntando: Será que alguma mãe consegue estar completamente preparada quando chega esse momento? Será que alguma mãe consegue não sentir um aperto no coração quando precisa abrir a porta e deixar que os filhos saiam e busquem seus caminhos, sozinhos?
Quando eu li sobre os medos, as dúvidas e inseguranças do autor do livro, pensei logo nos meus próprios medos, nas minhas próprias inseguranças. Pelo fato de minha filha ter sido criada com muito cuidado e mimo, senti medo de talvez tê-la protegido de mais, de nao ter dado a ela chance  de crescer e tornar-se independente... E mesmo sabendo que procurei transmitir valores que considero corretos e necessários, bateu aquele friozinho na barriga.
Eu sabia que a hora de cortar o cordão umbilical pela segunda vez chegaria, mas não pensei que seria tão difícil assim. Definitivamente, não é nada fácil pensar na minha pequena longe de casa, longe dos meus olhos e do meu abraço protetor. No entanto, apesar da tristeza em vê-la partir, sinto-me orgulhosa ao vê-la caminhar segura e altiva em direção ao caminho que escolheu.
Vá, filha, crie asas e voe. Voe alto, voe longe, voe mesmo, mas saiba que sempre poderá voltar à casa da mamãe, os braços estarão sempre abertos para recebê-la.
“Um filho é sempre um recomeço. Um filho é a maneira que temos de reiniciar o mundo. Sofrerás, eu sei, com a crueldade e a injustiça dos homens. Em certas manhãs, acordarás sem ânimo. Talvez até te questiones sobre os motivos por que te trouxemos aqui. Trouxemos-te – é o que sinto – para que nos ajude a sermos melhores. Trouxemos-te porque te queremos melhor do que nós.”  (José Eduardo Agualusa)

2 comentários:

  1. Olá Day,
    se for de alguma ajuda, te afirmo que todos esses sentimentos, todas essas dúvidas, o conjunto cheio e com desvãos aqui e ali, são unanimidade nossa diante deste futuro necessário e assustador.Sim, elas crescem e aparecem por si, a sós e nos bate um medo misturado a um baita orgulho.
    Dizemos em gestos: Vai filha, vc é capaz!Enquanto calamos as lágrimas no fundinho do coração.
    As minhas intrépidas fizeram trilha igual e jamais deixei de sentir aquele apertinho no peito.
    Pois é, faz parte :D
    Bjkas,
    Calu

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  2. É verdade, apesar do orgulho que sentimos quando nossos rebentos ganham o mundo, é impossível não sentir também um aperto no peito e a sensação de que a dorzinha de saudade não passará nunca.
    Obrigada pela bonitas palavras, Calu!
    Beijos :)

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