domingo, 28 de setembro de 2014

Eu vejo coisas especiais...

“Sábio são aqueles que, da multiplicidade, escolhem o essencial. Simplicidade é isso: escolher o essencial.”                   (Rubem Alves)  

Turistas observando Hong Kong...


Sempre que bate aquela preguiça e uma vontade incontrolável de ficar enfiada dentro de casa, lembro que cada dia que passa é um dia a menos que me resta para aproveitar as coisas bonitas da cidade onde moro. Mesmo quando o tempo fica com a umidade lá nas alturas e insuportavelmente quente – uma quentura capaz de tirar o raciocínio de qualquer ser vivente -, me obrigo a sair de casa e dar umas voltinhas pelas redondezas. Às vezes acho que vou só perder meu tempo, que não verei nada de interessante, mas aí me dou conta que daqui a alguns meses não estarei mais caminhando pelas ruas desta cidade, no meio desta multidão de chineses, escutando esta língua tão enigmática… Então, pego minha máquina fotográfica e vou passear.


Os olhos defensores da mamãe macaca

Pagoda no Parque Nan Lian


Enquanto caminho pelas ruas de Hong Kong, percebo que o que vejo aqui não verei nunca mais, em nenhum lugar do mundo. Por isso, não me permito ficar enfiada dentro de casa esperando o tempo passar... Saio por aí em busca das peculiaridades do lugar e de desfrutar tudo que a cidade oferece. No início, apenas passeava tranquilamente. Agora, comecei a fotografar também. Fotografar do meu jeito, meio torto, meio cortando uma pena aqui e um abraço acolá, mas dizem que a intenção é que vale, né mesmo?!
Algumas vezes sento em um parque qualquer e fico a observar os passantes, então cai a ficha que o mais legal de morar por um longo tempo em uma cidade tão diferente é que por mais que eu conheça esse lugar, nunca será suficiente, sempre terá algo novo esperando para ser visto. E, por incrível que pareça, cada vez que saio às ruas vejo algo especial.



Detalhes da tradicional arquitetura chinesa




Hong Kong vista de cima

Coreografia de um pescador...



É especial deixar-se surpreender por situações do cotidiano e permitir que nosso olhar busque e encontre a beleza naquelas coisas que, muitas vezes, vemos todos os dias mas não prestamos suficiente atenção. É bom reparar nos rostos das pessoas, como li em uma crônica de Rubem Alves há poucos dias: “rostos revelam o mundo.” É verdade, por isso gosto tanto de observar pessoas, reparar na forma como caminham, se apressadas ou com calma; gosto  também de imaginar o que elas pensam e como se sentem, se estão alegres ou tristes...

Os chineses são inquietos por natureza, falam alto demais, querem o tempo todo passar na frente, como se estivessem sempre atrasados, como se o mundo fosse acabar amanhã. Isso me irritava de uma certa maneira no início, mas por fim compreendi que esse jeito meio brusco e ruidoso faz parte da essência deles e, claro, ajuda a compor a atmosfera desta cidade que tanto gosto, dando a ela charme e graça. Hong Kong não seria a mesma coisa sem essa maneira tão peculiar de sua gente.
Além de observar pessoas, gosto também de observar lugares, imaginar como foi determinado lugar anos atrás, antes de eu chegar por aqui, e como esse mesmo lugar será anos mais tarde, depois que eu já tiver partido. Deixo a minha imaginação voar solta e simplesmente desfruto.



Teleférico em Lantau


Casa de chá em Po Lin

Sinto-me feliz e privilegiada por morar onde moro, por conhecer as pessoas que conheço e por ver as coisas que vejo. Acho que por saber que o tempo aqui é provisório e que logo estarei indo embora, procuro aproveitar ao máximo e guardar na lembrança aquilo que vivencio, porque no final das contas, quando tudo passar, serão apenas as memórias das coisinhas especiais que ficarão.
*** Espero que as fotos consigam mostrar a vocês pelo menos um pouquinho do que vejo aqui. 🙂




4 comentários:

  1. Olá!
    Estou encantada com teu blog, gostei muito de conhecer e certamente voltarei pra ler com mais tempo!
    Abraços :-)

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  2. Obrigada pela visita!
    Abraço :)

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  3. Oi, Dayse!
    Pois acho que você fotografa super bem! ;)
    Dar adeus à uma cidade que gostamos e com a possibilidade de nunca mais voltar gera em mim sentimentos confusos, apesar de que, sempre quando mudei de lugar, nunca pensei que fosse definitivo. Uma centelha lá dentro sempre dizia que eu iria retornar em qualquer tempo. Mas é estranho guardar as pessoas na memória, até porque elas mudam tanto fisico como emocional, daí como seria se um dia voltasse?
    Dayse, pra onde você vai?
    Queria te contar que já fiz a chamada para a 9ª Edição do BookCrossing Blogueiro e se estiver a fim de participar, sinta-se convidada! :D Ficarei feliz com a sua presença novamente.
    Beijus,

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  4. Oi, Luma!
    Pra mim as despedidas têm sempre um gostinho de melancolia, por mais que tente ser durona, sempre vai rolar algumas lágrimas. Mas enfim, assim é a vida.
    Eu ainda não sei muito bem qual será meu destino, provavelmente Berlim, mas não tem nada certo ainda.
    Quero participar do BookCrossing, vou escolher uns livros para libertar.
    Um beijo

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