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Mostrando postagens com o rótulo Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor são ridículas...

“Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas. As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas (…)”  Eu adoro poesia. E quando falo em poesia me vem logo à cabeça Fernando Pessoa e seus heterônimos, porque eles são os meus poetas preferidos. Além disso, adoro biografias, cartas, diários e tudo mais que me permita bisbilhotar detalhes privados da vida dos escritores que gosto. Então, quando vi na vitrine de uma livraria o livro  Cartas de Amor de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz   –   publicado pela  Editora Assírio & Alvim , em 2012, entrei imediatamente para comprá-lo. Fiquei curiosíssima para conhecer os pormenores do romance dos apaixonados. O livro traz uma compilação de cartas que foram trocadas por Ofélia e Pessoa durante as duas fases do namoro que mantiveram. Agora ficou muito mais interessante ler essas corre...

Livro do Desassossego.

“Pasmo sempre quando acabo alguma coisa. Pasmo e desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e faço. O que consigo é um produto, em mim, não de uma aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque não tenho força para pensar, acabo porque não tenho alma para suspender. Este livro é a minha cobardia”. A primeira vez que li o Livro do Desassossego tive bastante dificuldade em manter um ritmo de leitura. Li muito devagar, fazendo pausas e mais pausas… demorei muito até engrenar completamente. Mas, a partir de um certo momento, a leitura me absorveu tanto que foi impossível deixá-la de lado. Foi até esquisito, porque comecei sem muito entusiasmo e acabei completamente extasiada. Logo no início fui bombardeada por uma frase intrigante:  “O coração, se pudesse pensar, pararia”.  Fiquei com essa frase na cabeça querendo saber se o autor tinha algo mais a dizer, acredito que por isso não desisti, insisti na leitura ...
Quem está ao sol e fecha os olhos, Começa a não saber o que é o sol E a pensar muitas cousas cheias de calor. Mas abre os olhos e vê o sol, E já não pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz E por isso não erra e é comum e boa.                 (Alberto Caeiro)

Fernando Pessoa

Whether we write or speak or do but look   We are ever unapparent. What we are   Cannot be transfused into word or book,   Our soul from us is infinitely far.   However much we give our thoughts the will   To be our soul and gesture it abroad,   Our hearts are incommunicable still.   In what we show ourselves we are ignored.   The abyss from soul to soul cannot be bridged   By any skill of thought or trick of seeming.   Unto our very selves we are abridged   When we would utter to our thought our being.   We are our dreams of ourselves souls by gleams,   And each to each other dreams of others' dream