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Mostrando postagens com o rótulo Impressões de Leitura

Acorda, filha, por favor acorda!

“Neste 8 de janeiro de 1992 escrevo para você, Paula, para trazê-la de volta à vida.” Paula , da escritora chilena  Isabel Allende , é um livro que toca o leitor de uma maneira tão profunda que é quase impossível escrever qualquer coisa acerca dele sem deixar transparecer um quê de emoção… Talvez por eu já conhecer o teor da história tenha ficado por muito tempo com o livro à espera sem coragem de pegá-lo para ler. Quando finalmente decidi que era a hora de mergulhar nessa leitura, fui surpreendida por uma escrita que, embora muito triste e dolorosa, transmite um bocado de esperança. Isabel Allende começa sua narrativa assim:  “Ouve, Paula, vou contar-te uma história para que, quando acordares, não te sintas perdida…”  Paula, uma jovem de apenas 28 anos, padece de  porfiria , uma rara enfermidade. Após uma crise, entra em coma e assim permanece por quase doze meses. Durante o período em que Paula permaneceu em coma, Allende começa a escrever uma carta q...

Os Maias, Eça de Queirós

Um clássico é um livro que nunca acaba de dizer o que tem pra dizer. — Italo Calvino Há livros que não consigo ler de uma sentada só, não porque são ruins ou enfadonhos, mas porque me fascinam e cativam de tal maneira que chega a fazer-me pena conhecer o fim. Os Maias é um livro assim, por essa razão não me é possível escrever sobre ele sem me emocionar. Por causa dos Maias, habitei vários meses o Ramalhete, lá na Rua de S. Francisco de Paula, no Bairro das Janelas Verdes, naquela Lisboa do final do século XIX. Desfrutei, incansavelmente, da privilegiada vista do Tejo e do Porto de Santos. Vi, vezes sem conta, Dom Afonso da Maia sentar-se frente à lareira para tomar seu cálice de vinho do Porto ao mesmo tempo que aconselha o apaixonado Pedro da Maia, seu filho, a afastar-se da belíssima Maria Monforte. Usufruí dos bons ares de Santa Olávia, ao pé do rio Douro, e observei, quase sempre com um sorriso no rosto, a infância feliz do pequeno Carlos Eduardo da Maia. Foi então...