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Mostrando postagens com o rótulo literatura

Livros que li...

É sempre assim… A mesma casa, a mesma escada, o mesmo homem. Mas só porque esse homem ficou mais velho, conheceu outras terras e outras gentes, leu mais livros, a casa e a escada mudaram. E as pessoas da casa também mudaram. — Erico Veríssimo Em relação a leituras, 2018 foi um bocadinho melhor que 2017, mesmo assim não consegui voltar a minha rotina de leitura dos anos anteriores. Aliás, nem sei se um dia voltarei. Apesar de não ter lido uma quantidade exorbitante de livros, posso dizer que fiz leituras interessantíssimas e tocantes. Li com atenção e desfrutando cada página o máximo que pude… Fui deixando pelo meio do caminho vários livros inacabados e, pra ser bem sincera, já não me importo mais com isso, se não gostar abandono mesmo e pronto, porque a vida é curta demais para perdermos tempo com livro chato e que não nos toca de alguma forma. Os livros que li em 2018: 1- Travessuras da Menina Má ,  Mario Vargas Llosa : conta uma história de amor, mas a meu ver, uma histó...

Acorda, filha, por favor acorda!

“Neste 8 de janeiro de 1992 escrevo para você, Paula, para trazê-la de volta à vida.” Paula , da escritora chilena  Isabel Allende , é um livro que toca o leitor de uma maneira tão profunda que é quase impossível escrever qualquer coisa acerca dele sem deixar transparecer um quê de emoção… Talvez por eu já conhecer o teor da história tenha ficado por muito tempo com o livro à espera sem coragem de pegá-lo para ler. Quando finalmente decidi que era a hora de mergulhar nessa leitura, fui surpreendida por uma escrita que, embora muito triste e dolorosa, transmite um bocado de esperança. Isabel Allende começa sua narrativa assim:  “Ouve, Paula, vou contar-te uma história para que, quando acordares, não te sintas perdida…”  Paula, uma jovem de apenas 28 anos, padece de  porfiria , uma rara enfermidade. Após uma crise, entra em coma e assim permanece por quase doze meses. Durante o período em que Paula permaneceu em coma, Allende começa a escrever uma carta q...

Os Maias, Eça de Queirós

Um clássico é um livro que nunca acaba de dizer o que tem pra dizer. — Italo Calvino Há livros que não consigo ler de uma sentada só, não porque são ruins ou enfadonhos, mas porque me fascinam e cativam de tal maneira que chega a fazer-me pena conhecer o fim. Os Maias é um livro assim, por essa razão não me é possível escrever sobre ele sem me emocionar. Por causa dos Maias, habitei vários meses o Ramalhete, lá na Rua de S. Francisco de Paula, no Bairro das Janelas Verdes, naquela Lisboa do final do século XIX. Desfrutei, incansavelmente, da privilegiada vista do Tejo e do Porto de Santos. Vi, vezes sem conta, Dom Afonso da Maia sentar-se frente à lareira para tomar seu cálice de vinho do Porto ao mesmo tempo que aconselha o apaixonado Pedro da Maia, seu filho, a afastar-se da belíssima Maria Monforte. Usufruí dos bons ares de Santa Olávia, ao pé do rio Douro, e observei, quase sempre com um sorriso no rosto, a infância feliz do pequeno Carlos Eduardo da Maia. Foi então...

O Tempo e o Vento... (Contém spoilers)

“1745. No topo de uma coxilha, uma índia grávida, perdida no imenso deserto verde do Continente. O filho que traz no ventre é de um aventureiro paulista que a preou, emprenhou e abandonou. A criança nasce na redução Jesuítica de São Miguel, onde a bugra busca refúgio. A mãe morre durante o parto, esvaída em sangue. Esse bastardo, um menino, virá a ser um dos troncos da família que vai ocupar o primeiro plano do romance e que bem poderá ser (ou parecer-se com) o clã Terra-Cambará. Veríssimo traçou um ciclo que começou nesse menino e veio a encerrar-se duzentos anos mais tarde.”                                                                           ...

Maomé, uma biografia do profeta...

“É sempre difícil apreciar os livros sagrados de outras culturas.” Não estava em meus planos ler um livro relacionado à religião no momento, mas pelo fato desse tema ter sido escolhido para a leitura do mês de abril no  Grupo de Leitura   do qual participo, não houve escapatória. Como eu não sou de fugir da raia, encarei. A leitura, ao contrário do que eu esperava, me agradou um bocado. Não apenas porque me levou a aprender bastante acerca de uma cultura que eu desconhecia totalmente, mas também porque me deu motivação para começar a ler Salman Rushdie , um escritor que já estava na minha lista de espera há anos .  Sem falar que eu adoro histórias ambientadas na Idade Média, então colocando na balança os prós e contras, posso dizer que  Maomé, uma biografia do profeta , de  Karen Armstrong , foi uma leitura boa e informativa. O livro, publicado originalmente no Reino Unido em 1990  (no Brasil em 2002 pela Companhia das Letras)  é interessant...

A casa das belas adormecidas...

” A mais bela das mulheres não poderia, durante o sono, dissimular a sua idade. Um rosto jovem é agradável durante o sono, mesmo que a mulher não seja uma beleza. Talvez não pudesse escolher, naquela casa, senão raparigas agradáveis de ver enquanto dormiam.” A primeira vez que escutei falar em  Yasunari Kawabata  foi em dezembro de 2005, naquela época acabava de ser publicado no Brasil o livro  Memória de minhas putas tristes ,  do escritor colombiano  Gabriel García Márquez . Muito se falava a respeito desse novo livro, pois foi a partir dele que Gabo colocava fim a um jejum de dez longos anos longe dos romances. Foi nessa onda de novidade e curiosidade que comecei a leitura… Já na orelha da capa fiquei sabendo que Memória de minhas putas tristes havia sido inspirado em  A casa das belas adormecidas,  do escritor japonês Yasunari Kawabata. García Márquez começa sua história com uma epígrafe retirada da própria história de Kawabata: “Não dev...