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Aquela voz inconfundível...

Uma das muitas lembranças que guardo carinhosamente da minha infância é a do meu tio-avô. Lembro-me, sobretudo, de sua voz forte, marcante e de seu acentuado sotaque maranhense. O velho Jaime, irmão de minha avó materna, vivia em um povoado chamado São Benedito, embrenhado nos confins do Maranhão. Apesar de nunca ter colocado os pés em dito lugar, quando falo dele me parece tão familiar que é como se eu o conhecesse, deveras! Lembro-me que ele fazia o percurso de sua casa até à casa de minha avó a cavalo - e na época do inverno (no Maranhão, naquele tempo, essa estação era marcada pelas chuvas constantes e pelos rios que se formavam mata adentro), os caminhos ficavam muito difíceis, por causa disso vô Jaime tinha que madrugar, atravessar igarapés, viajar praticamente o dia inteiro para chegar a Santa Helena, vilarejo onde vivia minha avó. Mas, quando chegava, quase sempre à noite, ninguém mais dormia, porque ele tinha causos pra contar... E ra história pra mais de légua!! F...

Sheung Yiu, o vilarejo abandonado!

Finalmente fui conhecer  Sheung Yiu - um vilarejo fundado no final do século XIX por membros da família Wong. A família Wong, que pertencia ao grupo étnico Hakka, abandonou seu lugar de origem na província de Guandong e se estabeleceu por aqui, pertinho do grande  Parque Natural Pak Tam Shung , nos Novos Territórios, e montou uma pequena venda para ganhar a vida fornecendo mantimentos aos moradores locais e viajantes que passavam pelo lugar.  Como o negócio começou a dar bastante lucro, decidiram construir o vilarejo para abrigar tanto a casa da família como a dos empregados - eles chegaram a ter mais de cem trabalhadores. Paisagem em Sheung Yiu Ruina de uma das casas da família Wong Sheung Yiu  ocupava uma área de cerca de 500m e foi construído sobre uma plataforma de aproximadamente dois metros de altura. Essa altura servia não apenas para proteger as casas de inundações mas também de possíveis invasores. Composta por uma série de oito ...

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida...

“Toda mulher que já teve um bebê sentiu dor, e as mães de menininhas têm o coração cheio de tristeza.” Logo que terminei a leitura de Xu Xiaobin,  A Serpente Emplumada ,  quis dar continuidade a minha empreitada de conhecer mais a fundo a literatura chinesa. Pesquisei sobre vários livros e decidi ler  Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida , de  Xinran . A história tocou-me bastante, provavelmente por trazer relatos reais de mulheres chinesas que devido aos percalços da vida precisaram abandonar suas filhas à própria sorte. Os depoimentos são tão reveladores que não tem como lê-los sem sentir um nó na garganta, sem imaginar como reagiríamos caso fosse conosco. Não tem como não nos colocarmos no lugar dessas mães e sofrermos com elas. Confesso que por vezes chorei… É triste, muito triste! Xinran começa nos explicando o porquê de haver na China tantas meninas orfãs. Ela diz que isso acontece, “ em primeiro lugar, porque é um costume arraigado na...

Touch of the Light, um filmaço!!

Dia desses fui ao cinema porque queria assistir a algum filme que me tocasse, que me fizesse pensar, que não fosse mais um típico filme americano com carros explodindo, tiros pra todo lado e o escambau.  Em meio a tanta variedade de filmes em exibição, acabei me decidindo por Touch of the Light,  de Chang Jung-Chi , um diretor taiwanense.  Foi a primeira vez que fui ao cinema e decidi assistir a um filme chinês. Com audio em mandarim e legenda em cantonês e inglês, o filme definitivamente me agradou! Eu já até tinha comentado que estava me sentindo meio envergonhada (eu sempre me sinto envergonhada quando não me interesso em conhecer um pouco mais da cultura do país no qual vivo) por não conhecer nada do cinema chinês. A verdade é que já andava bastante curiosa para saber se os chineses são bons nessa arte... Pois é, eles não me decepcionaram, não! Touch of the light está baseado em uma história real. Trata da vida de um adolescente cego que ingressa em...

Conhecendo um pouquinho da arte russa...

Acho que já comentei em outro post que adoro Hong Kong pela variedade de programas culturais que oferece aos moradores e visitantes, né? Aqui, quem quer vai encontrar coisas novas e interessantes para fazer todo dia, porque atividades culturais não faltam. Até quem não quer gastar muito pode se dar ao luxo de fazer esse tipo de programa, já que alguns museus em Hong Kong reservam um dia da semana pra receber visitantes de forma gratuita. Falando em atividades culturais, há alguns meses chegou em Hong Kong a exposição Fabergé, Legado da Rússia Imperial -  e eu, curiosa que sou, fui lá dá uma olhadinha. Os ovos de Páscoa de Fabergé foram sem dúvida o destaque da exibição, mas além deles foram trazidas também muitas outras obras de arte e peças raras, como jóias, metais preciosos, pedras e peças sacras. A exposição foi linda, totalizou mais de 270 itens que foram emprestados da coleção dos Museus do Kremlin de Moscou. Eu já conhecia de perto alguns desses ovos, pois já...

1Q84 - Mais um de Murakami!

“Não se esqueça do que lhe digo: as coisas não são o que parecem.” Acho que não é mais novidade para ninguém que eu gosto pra caramba do escritor japonês  Haruki Murakami . Até agora todos os livros dele que li, de uma forma ou de outra, me agradaram. Por isso, quando escutei falar sobre o lançamento de   1Q84 , seu novo livro, fiquei morrendo de vontade de lê-lo. Quando comecei a leitura eu nada sabia sobre o enredo, evitei até mesmo bisbilhotar resenhas e comentários a respeito para não saber detalhes que pudessem comprometer minha leitura. Por um lado isso foi bom, pois fui surpreendida pelos acontecimentos à medida que me envolvia com os personagens. Mas por outro, foi ruim, já que eu não sabia que a história é longuíssima, que a edição em português está dividida em três volumes e que não é possível lê-los de forma independente. Resulta que fui ficando cada vez mais envolvida com o tema e cada vez mais curiosa para saber o desfecho, mas, para minha...

Festival do Barco do Dragão

The Dragon Boat Festival Houve aqui em Hong Kong e na China Continental uma festa bastante especial e aguardada: The Dragon Boat Festival (Festival do Barco do Dragão), que é também conhecido como Tuen Ng Festival . Esse evento acontece todos os anos, no quinto dia da quinta lua do calendário lunar - neste ano caiu quarta-feira, 12 de junho. O  Festival do Barco do Dragão  nada mais é que uma competição de barcos a remo. Cada barco tem capacidade para aproximadamente 22 pessoas, que embaladas por som de tambores, remam com toda sua força para alcançar a linha de chegada. Os participantes são muito bem preparados fisicamente e levam a competição muito a sério.  Mas para entender direitinho a origem desse acontecimento precisaremos viajar um pouquinho no tempo, temos que regressar ao passado até encontrarmos Qu Yuan . foto da net foto da net Qu Yuan ( 475 - 221 a.C ) foi um político e poeta chinês que trabalhou junto ao Imperador Huai no Reino de...