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Então, a culpa é da vítima?

Eu não sei se estou ficando retrógrada, mas a verdade é que ando com muitas dificuldades em compreender  o ser humano, principalmente quando vejo toda essa violência que tem assolado o mundo ultimamente... Por conta do tema Violência, comecei um bate-papo saudável com uma conhecida, mas infelizmente acabou mesmo se transformando numa discussão bastante acalorada.  Começamos a falar sobre as informações que são vomitadas diariamente pelos meios de comunicação e rapidamente invadem as redes sociais. Eu disse que a mídia tem o incrível poder de manipular pessoas, e com a proliferação das redes sociais, as notícias - verdadeiras ou não - tomam proporções assustadoras. As pessoas hoje em dia não se dão mais ao trabalho de verificar se uma informação é proveniente de fonte idônea e se a pessoa que a postou é confiável. Isso, infelizmente, tem causado mal-entendidos gravíssimos; tem levado pessoas (pouco esclarecidas) a cometerem crimes hediondos, como esse que aconteceu sábado ...

O negócio é facilitar...

Ontem, li um artigo da Folha de S. Paulo  sobre um projeto da escritora Patrícia Secco, que tem como objetivo reescrever alguns clássicos da literatura. Algo nada inovador se levarmos em conta que existem por aí milhares de adaptações e resumos. Porém, foi com um quê de tristeza que cheguei à conclusão de que o grande problema da falta de leitura no Brasil, problema esse que aprisiona nossos jovens há anos, continua a ser tratado com o famoso jeitinho. A escritora alega que algumas obras da literatura brasileira, como O Alienista, de Machado de Assis, por possuírem muitas palavras desconhecidas precisam ser simplificadas. A proposta dela é trocar essas palavras "difíceis" por outras mais "fáceis". Ela diz também que a modificação que fará no texto de Machado não mudará em nada o estilo do escritor, que a ideia é apenas tornar a leitura mais  acessível aos jovens leitores. Para mim o projeto da escritora Patrícia Secco equivale a empurrar a sujeira para debaixo...

O Livro dos Abraços - Eduardo Galeano

“Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada.” O Livro dos abraços enganou-me com seu belo título que, de uma doçura sem igual, levou-me a pensar que se tratasse de uma novela romântica, meio água com açúcar. Engano mesmo, minha gente, pois o que Galeano oferece ao leitor é muito mais que isso, ele nos brinda com pequenos relatos que se encarregam de contar grandes histórias: histórias de dores, histórias de lutas, histórias de amores e de sobrevivência. Embora a maioria desses relatos esteja relacionado à política na época da ditadura no Uruguai, eles discorrem também sobre o amor, sobre a velhice, sobre o medo, sobre religião e sobre amenidades da vida. O autor nos presenteia ainda com casos de sua própria vida na ép...

BookCrossing Blogueiro, 8-ª edição!

Mais uma vez começará o divertido  BookCrossing Blogueiro , organizado pelo blogue  Luz de Luma, Yes Party.   O objetivo do BookCrossing Blogueiro é "libertar" livros de nossas estantes para que outras pessoas os possam ler também, estimulando assim o hábito da leitura. Quem quiser entrar na brincadeira sinta-se convidado. É muito simples participar, basta apenas selecionar o livro que deseja passar adiante, colocar um bilhete dentro (modelo  aqui)  explicando que ele não está perdido, que deve ser lido e libertado outra vez... Fácil, né?! Um dos livros que escolhi para libertar é  O Castelo de Vidro , da jornalista norte-americana Jeannette Wallls . O Castelo de Vidro foi-me enviado da Alemanha por uma querida amiga virtual ( Obrigada, Nina! ). O livro está agora em Hong Kong e ansioso para seguir circulando livremente por aí... Já o li e gostaria de oferecê-lo a outro leitor, porém de uma forma um pouco diferente: via correio. Quem tiver intere...

Sam Ka Tsuen

Templo em Sam Ka Tsuen O texto de hoje faz parte do  Desafio 12 lugares -  que eu vi no blogue  aceita um leite? - de Lu Tazinazzo. Eu gostei da ideia, achei a proposta bem divertida e decidi participar da  brincadeira. O desafio consiste em visitar lugares que ainda não conhecemos e escrevermos sobre eles. Pode ser um museu, uma cidade, um parque, enfim, qualquer cantinho que de alguma forma chame a nossa atenção. Pra começar, vou falar um pouquinho sobre  Sam Ka Tsuen , um lugar comum, porém simpático, localizado em Kowloon , do outro lado da Ilha de Hong Kong.   Sam Ka Tsuen  é um bairro simples, que não chama assim tanta atenção dos turistas, principalmente daqueles viciados em lugares famosos, lotados de pessoas e suas sofisticadas câmeras fotográficas.  Pessoal, eu gosto de visitar pontos conhecidos e badalados de uma cidade, mas penso que é interessante conhecer também aqueles lugares que não fazem parte de um roteiro ...

Neve, Orhan Pamuk!

“(…) o mal do mundo – isto é,  a pobreza e a ignorância dos pobres e a esperteza e dissipação dos ricos – e toda a vulgaridade do mundo, toda a violência, toda a brutalidade – isto é, todas as coisas que nos enchem de culpa – decorrem do fato de todo mundo pensar igual.” Caso eu fosse uma pessoa influenciável teria desistido de ler  Neve , não teria nem começado, porque entre as muitas opiniões que andei lendo por aí a grande maioria taxava o livro de lento e enfadonho. Porém, como eu prefiro tirar minhas próprias conclusões a respeito dos livros que me interessam, não dei muita importância e comecei a leitura mesmo assim. E tive uma grande surpresa, pois percebi que Neve não só deixa de ser lento e enfadonho como é um livro informativo, instigante e agradável. Eu gostei muito da história criada por  Orhan Pamuk , gostei da temática da obra, da forma como o autor conduz a narrativa e dos muitos dados sobre a Turquia que fornece. O livro tem quase ...

Eu finalmente li 'Os Miseráveis' - de Victor Hugo!

“Enquanto existir, fundamentada nas leis e nos costumes, uma condenação social que crie artificialmente, em plena civilização, verdadeiros infernos, ampliando com uma fatalidade humana o destino, que é divino; enquanto os três problemas des te século, a degradação do homem no proletariado, o enfraquecimento da mulher pela fome e a atrofia da criança pela escuridão da noite, não forem resolvidos; enquanto, em certas regiões, a asfixia social for possível; em outros termos, e sob um ponto de vista ainda mais abrangente, enquanto houver sobre a terra ignorância e miséria, os livros da natureza deste poderão não ser inúteis.”                 Ler ‘Os Miseráveis’ foi minha meta literária de 2013. Comecei a leitura no início de julho daquele ano, mas só consegui concluí-la mais de dois meses depois. A obra, publicada em 1862, é sensacional, mesmo assim não foi uma leitura que eu fiz de uma sentada, não por ter uma  linguagem difícil ou por ...