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A guerra não tem rosto de mulher...

“Não estou escrevendo sobre a guerra, mas sobre o ser humano na guerra. Não estou escrevendo a história de uma guerra, mas a história dos sentimentos. Sou uma historiadora da alma.” 2018 começou bem, já no primeiro mês do ano tive o prazer de fazer uma ótima leitura:  A guerra não tem rosto de mulher  da escritora  Svetlana Aleksiévitch , livro publicado originalmente em 1985. No Brasil foi publicado em 2016 pela Companhia das Letras. A guerra não tem rosto de mulher  traz relatos reais de mulheres soviéticas que estiveram na linha de frente durante a Segunda Guerra Mundial. E ste livro é diferente de qualquer outro acerca desse tema que eu já li ,  porque ele mostra a batalha das mulheres, a guerra contada a partir do ponto de vista feminino.  Bem no início, ficamos sabendo que a União Soviética enviou aproximadamente 1 milhão de mulheres para lutar na Segunda Guerra Mundial, o dobro que a Alemanha enviou, por exemplo. Então, o que Sv...

Os livros que li...

“O verdadeiro analfabeto é aquele que saber ler, mas não lê.” — Mario Quintana Faltam ainda doze dias para terminar 2017, mas eu já sei que não lerei mais nada até o último dia do ano. Assim sendo, posso dizer que não consegui finalizar a meta que sempre determino para mim: ler pelo menos doze livros no decorrer do ano. 2017 foi muito conturbado, cheio de responsabilidades, grandes decisões e problemas maiores ainda, por conta disso faltou cabeça para a leitura. Eu consegui, aos trancos e barrancos, finalizar apenas onz e livros. Mesmo assim, posso dizer que gostei de tudo que li. Quatro desses onze livros foram releituras: –  Meu pé de laranja lima  de José Mauro de Vasconcelos:   um queridinho capaz de me fazer rir e chorar todas as vezes que entro no universo do menino Zezé. –  El Cruzado  de Stephen Rivelle:   um livro que já me fez viajar várias vezes de Provença a Jerusalém naquela que teria sido a Primeira Cruzada, lá nos primórdios do sécul...

O holocausto tão pouco conhecido...

“Primeiro levaram os negros, mas eu não me importei com isso, e u não era negro.  Em seguida levaram alguns operários, mas não me importei com isso, e u não era operário.  Depois prenderam os miseráveis, mas não me importei com isso, p orque eu não sou miserável.  Depois agarraram uns desempregados, mas como eu tenho meu emprego, t ambém não me importei.  Agora estão me levando, mas já é tarde, c omo eu não me importei com ninguém, n inguém se importa comigo.”  (Bertolt Brecht) Quem aí aprendeu na escola algo relacionado ao Massacre de Nanquim ? Eu, pelo menos até vir morar na China, não tinha escutado nada sobre isso. Conheci essa parte horripilante da História por meio de livros de alguns escritores chineses que li. Sempre tive interesse em ler livros que me levassem a aprender algo mais sobre o mundo. Confesso, no entanto, que saindo da ficção e passando para algo mais verídico alguns fatos causam-me muita impressão.  Já tinha tido uma experi...

Um vilarejo de pescadores parado no tempo...

É a segunda vez que visito  Tai O , um vilarejo de pescadores localizado na ilha de Lantau, em Hong Kong. A primeira vez que estive por lá foi poucos meses após chegar por estas bandas. Nessa época eu ainda andava fascinada com tudo que via por aqui, só queria mesmo saber de admirar as paisagens, sem o compromisso de fotografar nada. Agora, como pensei em deixar registrado aqui no blogue minha impressão sobre esse vilarejo, decidi voltar para um segundo passeio e também para fazer algumas fotos. Tai O   é chamado a “Veneza de Hong Kong”. Não posso opinar muito sobre isso já que não conheço Veneza, mas pelas fotos que vi da cidade italiana não tem absolutamente nada a ver, nada mesmo! Mas, enfim, se os chineses querem que seja a “ Veneza de Hong Kong” , que seja, então! O vilarejo é completamente diferente da Hong Kong frenética que muita gente conhece, o lugar é mais simples, bastante bagunçado e não muito limpo, mesmo assim dá pra passear numa boa e passar um tempo...

Ahhh o Vietnã...

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é, que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.   (Amyr Klink) Quando eu era menina assistia a muitos filmes sobre a guerra no Vietnã, filmes esses que eram repetidos incansavelmente na tv aberta do Brasil. A grande maioria desses filmes mostrava o povo vietnamita como malvado, o grande vilão da história… e eu acreditava piamente na forma como eles eram retratados, por conta disso acabei desenvolvendo uma opinião equivocada...

10º Bookcrossing Blogueiro

"Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece." Carlos Ruiz Zafón Começou o 10º BookCrossing Blogueiro, o projeto pra lá de bacana que a  Luma Rosa,  do blogue   Luz de Luma, Yes Party,   organiza duas vezes por ano. Quem quiser participar está convidado, basta apenas escolher aquele livro que está abandonado na estante, colocar um recadinho dentro explicando que ele não está perdido, que é um livro livre (que deve ser lido e outra vez libertado) e deixá-lo em algum lugar público para que alguém o encontre. Você pode também entregá-lo diretamente a alguém ou enviá-lo pelo correio. O importante é entrar na brincadeira com gosto, participar e ajudar a compartilhar livros por aí. Escolhi três livros para libertar. Quem estiver inte...

Miramar - de Naguib Mahfuz

“É bom que encontremos alguém com quem compartilhar a solidão” Eu não sabia quase nada sobre o Egito. Devo ter estudado no colegial alguma coisa sobre as pirâmides, sobre o rio Nilo, sobre Cleópatra e Nefertiti, mas meu conhecimento acerca da História mais recente desse país era praticamente nulo. Estava até um pouco preocupada achando que me faltariam as informações necessárias para entender bem o enredo de Miramar. Mas eis que me deparo com um excelente prefácio da tradutora, Isabel Hervás Jávega – que fez a tradução direta do árabe para o espanhol. De forma pertinente, Isabel faz um apanhado da História Sócio-Político do Egito, desde a chegada de Napoleão Bonaparte, em 1798, até o governo de Gamal Abdel Nasser. Ela fala sobre a história do país durante o domínio inglês, mostra-nos como a poderosa Inglaterra interferia e controlava assuntos internos, tanto políticos como econômicos e financeiros. É justamente nessa época que são fundados os primeiros partidos políticos...